O Caso Alan Sokal pode explicar as fraudes da imprensa

Alan Sokal era um físico brincalhão que resolveu testar o enviesamento do meio acadêmico Americano enviando um artigo científico falso para a revista Social Text, em 1994.  Sokal sabia que liberais travestem-se com um manto de cientificidade para vender agendas pós-modernas pseudo-científicas a sociedade, praticar vitimismo, pautar fraudes na imprensa com o apoio da esmagadora maioria dos jornalistas e criar uma percepção social de que factoides são fatos, ipsu facto

Alan Sokal e o embuste do pós-modernismo científico
Alan Sokal e o embuste do pós-modernismo científico

No Brasil, ele poderia fazer um estudo de caso bastante interessante sobre estatísticas adulteradas que a mídia e a academia publicam sobre racismo, violência contra a mulher, homofobia, socialismo, capitalismo, teoria de gênero e seja lá qual for a justiçada da moda, propagandeada por órgãos como IPEA e IBGE.

Óbvio que a sociedade é racista, machista e homofóbica, mas ela também é misândrica (está sempre posta a linchar homens em praça pública ao menor rufar de falsas acusações de crimes sexuais), adepta de um padrão duplo cínico (pelo menos entre os intelectuais, a percepção de que um branco possa sofrer racismo, é inexistente) e vitimista. A esse processo de indignação seletiva da mídia, dos intelectuais, formadores de opinião e da manufatura de um clima de medo de ser hostilizado por pensar diferente, dá-se o nome de Teoria da Espiral do Silêncio (NOELLE-NEUMANN, 1993) e “teoria do agendamento”(McCombs & Shaw, 1972): Oculte o importante, publicite o fato ideologicamente alinhado com seu grupo e paute as conversas da sociedade, da academia e o pensamento coletivo, sempre com o proselitismo dos políticos que, em seus ócios, sempre estarão dispostos a criar leis e mais leis para atomizar a sociedade de acordo com as pautas do momento.

Especificamente, O caso Sokal (ou escândalo Sokal) foi um escândalo ocorrido no meio acadêmico durante os anos 90. Apareceu na mídia em 1996, quando Sokal publicou um artigo-anedótico na revista Social Text (mantida pela Duke University Press), publicação de estudos culturais até então conhecida por seu caráter “pós-moderno”.

Sokal, professor de Física na Universidade de Nova Iorque, submeteu o artigo à publicação como um experimento para ver se um jornal desse tipo iria “publicar um artigo generosamente temperado com nonsense se (a) o artigo soasse bem e (b) o artigo exaltasse as concepções ideológicas dos editores”.

O artigo, intitulado “Transgressing the Boundaries: Towards a Transformative Hermeneutics of Quantum Gravity” (em português, “Transgredindo as fronteiras: em direção a uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica”), foi publicado na edição de “Guerras da Ciência” da Social Text e argumentava que a gravidade quântica seria uma construção social e linguística. Na época, a revista não contava com um processo de revisão por pares e não submeteu o artigo a revisores.  Sokal também anunciou em outra publicação – Lingua Franca – que o artigo era uma fraude, qualificando-o como “um pasticho de jargões esquerdistas, referências aduladoras, citações pomposas e completo nonsense“, tendo sido “estruturado em torno das citações mais tolas que eu pude encontrar sobre Matemática e Física” feitas por acadêmicos pós-modernos.

Sokal e Jean Bricmont lançaram um livro chamado Intelectual Impostures. Quando este foi publicado em França, lançou ondas de revolta no establishment Esquerdista, intoxicado com o non-sense e a pseudo-ciência da mentira e do vitimismo. Também foi publicado na Grã-Bretanha, onde provocou um debate apaixonado entre pensadores com mente mais aberta. Sokal e Bricmont examinaram os cânones de pós-modernismo francês – Lacan, Kristeva, Baudrillard, Irigaray, Latour, Virilio, Deleuze e Guattari – e expuseram sistematicamente seus abusos da ciência em nome de uma agenda política deliberadamente fraudulenta.

Alan Sokal prova, sem sombra de dúvidas, o caráter enviesado, falido e inescrupuloso dos meios formadores de opinião, da Academia, dos políticos de Esquerda (e de alguns de Direita também) e dos especialistas (aliás, o reductio “segundos os especialistas“, é comum na imprensa quando pretende-se entubar o leitor com o argumento da autoridade). Seu ceticismo engajado e sincero, mostra que devemos ser sempre muito céticos em relação ao que lemos, assistimos e cremos.

Fontes:
Sokal, Alan. Intellectual Impostures (em inglês). Londres: Profile Books, 2011. 491 p.

O Hoax de Allan Sokal. http://www.math.tohoku.ac.jp/~kuroki/Sokal/sokaltxt/00005.txt

Sokal, Alan. Transgressing the Boundaries: Towards a Transformative Hermeneutics of Quantum Gravity Social Text #46/47 (spring/summer 1996) pp. 217-252 p ( http://www.physics.nyu.edu/faculty/sokal/transgress_v2/transgress_v2_singlefile.html )

NOELLE-NEUMANN, Elisabeth. The Spiral of Silence: Public Opinion – Our Social Skin. University of Chicago Press, 1993

Teoria do Agendamento, https://teoriasdacomunicacao2.wordpress.com/teoria-do-agendamento/

 

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4 comentários

  1. Vou me inteirar mais sobre o assunto, DG, mas já posso comentar o seguinte: sinto hoje no dia a dia como essa deturpação da Ciência vem servindo aos intelectualóides, politiqueiros e embusteiros religiosos. Moro na zona rural em uma pequena propriedade e produzo a maior parte do alimento que consumo, tudo sem venenos, vendo um pequeno excedente no mercado local e entrego uma cota para a prefeitura distribuir na merenda escolar. Depois que o PT resolveu decretar que “quilombola é quem se autodefine como tal” o povoado local, que nunca foi quilombola pois não guarda nem herança nem tradições quilombolas, de repente virou quilombola. E agora, respaldado pela Fundação Cultural Palmares e o Incra, reivindica uma área bem maior que a ocupada pelo povoado, principalmente terras cultiváveis e de potencial turístico, todas pequenas propriedades produtivas ou preservadas como reserva biológica. A relação que até então parecia cordial, agora é tensa e cheia de ódio racista, tudo temperado com uma doutrinação evangélica cujo slogan é “recuperar o perdido, a qualquer custo”. Tanto a bancada petista quanto a bancada evangélica estão de olho na população afro – descendente, oferecendo vingança e salvação em troca de votos. E para tanto não faltam articulistas, guerreiros e até antropólogos pseudo cientistas corroborando a eterna vitimização como justificativa para expulsar (o termo que o Incra usa é “desintrusão”) produtores rurais, que na linguagem torpe e raivosa deles, viraram “ruralistas” e “grileiros”.

    • Isso é uma vergonha, Pat. É algo enojante. Quilombos são resíduo do período de Escravidão do país. Período mais degradante da história. O objetivo da esquerda é esse mesmo. Criar conflito onde haja paz; colocar gays contra héteros, negros contra brancos, mulheres contra homens. Induzir o conflito social. Tudo através das canetadas dos canalhas de Brasília.

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