Marielle Franco e a vida do cidadão comum

Marielle franco é a ponta do iceberg na escalada de violência que assola o país. Não obstante, o próprio iceber seja sumariamente ignorado pelo partido ao qual ela era filiada: o PSOL
Marielle Franco é a ponta do iceberg na escalada de violência que assola o país. Não obstante, o próprio iceberg seja sumariamente ignorado pelo partido ao qual ela era filiada: o PSOL

Por Bruno Giordano

Nossos conhecidos e entes queridos estão a ser vitimados a todo momento em latrocínios, assassinatos, estupros e assaltos a mão armada (além, óbvio, das extorsões praticadas pelo Estado em impostos que chegam a 70%). Mas, no Brasil, impera a escadinha do valor subjetivo do indivíduo que é a vítima: Mulher feminista engajada, pessoa negra militante famosa, celebridade. O “homem da massa” (e não o “homem/mulher massa” de Ortega y Gasset: Vulgar, inculto mas capaz de provocar fascínio), não tem muito valor nas prioridades das secretárias de segurança pública do estado.  Contudo, o aspecto dantesco da criminalidade mantém-se por elementar matemática: Enquanto o crime, especialmente o bárbaro, não for tratado com equivalência, a violência continuará, visto que esse “homem da massa” corresponde a esmagadora maioria dos casos de homicídio no Brasil, que espreme-se nos rodapés dos jornais brasileiros na sessão policial (um caso clássico de teoria do agendamento de Maxwell McCombs e Donald Shaw: a mídia escolhe suas prioridades e joga o resto para o rodapé, assim vamos ver a dieta a base de big macs do Donald Trump ser tratada como fato mais importante que um atentado em Alepo ).

Anderson Pedro Gomes, o motorista pobre da vítima de homicídio, a vereadora do PSOL, Marielle Franco, foi morto e sobrou para a família as lágrimas (ele era, adivinhem só, funcionário irregular da vítima, defensora “dos trabalhadores” e sua família não receberá quaisquer direitos do INSS). Eu também Soube que um empresário foi assassinado na frente do filho de 5 anos em um latrocínio (roubo seguido de morte). Também ficaram as lágrimas para a família (ele não tem qualquer valor político para as militâncias que aí estão).

A vida não tem valor subjetivo. A vida da vereadora do PSOL é insubstituível, como as vidas roubadas e menos investigadas e citadas das outras vítimas. Mas a justiça, o Ministério Público e a polícia, com suas tecnologias forenses, parecem sempre falhar para 92% dos casos de homicídio praticados no Brasil: quando as vidas são anônimas, elas valem muito menos.

Ululante de tão óbvia a comprovação do dito acima, está no fato de que a polícia já tem testemunhas acerca do crime cometido contra a vereadora, enquanto faz diligências com vários agentes em busca de imagens de câmeras de segurança circunvizinhas, numa conduta mais do que correta. Espanta-nos, porém, que as famílias das outras vítimas citadas não gozem de tantos recursos em uma investigações relâmpago.

Para ONU, a vida tem dois pesos e dois valores, de acordo com a tabelinha dos oprimidos.
Para ONU, a vida tem dois pesos e dois valores, de acordo com a tabelinha dos oprimidos.

Um sistema que punisse todo tipo de homicida (e homicídio) com o mesmo rigor e desse oportunidade de defesa às vítimas (com posse de arma), certamente teria brecado as tragédias supracitadas. Um sistema que escolhe seus mártires para estampar na TV, é apenas cruel.

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