Possíveis fraudes com os testes da Fosfoetanolamina

fosfoetanolamina não cura câncer.
Fosfoetanolamina não cura o câncer.. Mas os testes elaborados contém gravíssimas falhas metodológicas.

Segue o artigo abaixo, da Wikipedia, e o que tenho a dizer sobre ele, que está muito bem escrito -eu ajudei a revisar, colocando as fontes- é claro: antes de sair por aí acreditando em tudo que os “céticos”, que falam em nome da “ciência” (e tome aspas) dizem, é bom ser um cético honesto (e sem aspas) e fugir das pirulices que encontramos em youtubers da vida. Também seja sincero consigo mesmo e negue os discursos surreais dos seguidores fanáticos de Gilberto Chierice: Essa substância não curou o câncer em nenhum ensaio, ela melhorou o estado de saúde das cobaias.

Vamos falar de ciência. Vamos falar de fosfoetanolamina e fatos. Segue o artigo que ajudei a construir na Wikipedia:

No Brasil foi denominada como “pílula do câncer” e, depois de longa controvérsia midiática, jurídica e política,[1] testes requisitados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia mostraram que, segundo seus autores, a substância não tem qualquer efeito contra a doença.[2] Apesar disso, tentativas de legalização da substância para uso como suplemento alimentar foram denunciadas pela Sociedade Brasileira de Química.[3] Testes com a fosfoetanolamina sintética, feitos pelo Instituto do Câncer de São Paulo, localizado no campus da USP de São Carlos, demonstraram, segundo autores, que a substância não teve efeito sobre os tumores sólidos avançados, o que levou o Instituto a suspender novos testes (embora o estudo não tenha sido publicado, ainda) [4]. Proponentes do tratamento com a substância alegam falhas graves na metodologia dos testes e suspeita de fraude, o que levou a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) a instaurar uma CPI.

o ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) é alvo de uma CPI onde irregularidades nos testes realizados para aferir a viabilidade clínica da fosfoetanolamina sintética estão sendo apuradas[5][8]: primeiramente, o Governo do Estado de São Paulo obrigou auditores a acompanharem o processo de testes, mas estes não estiveram presentes[5]. Uma apresentação feita pelo médico Paulo Hoff atestou que a substância não seria funcional, mas o estudo não foi publicado. Na ocasião os auditores comprovaram uma série de falhas nos testes segundo padrões clínicos aprovados pelo CONEP (Conselho Nacional de Ética e Pesquisa), a mais grave foi a posologia adotada: Foi preconizada a tomada de 3 cápsulas diárias 3 vezes ao dia, porém as capsulas foram administradas ao mesmo tempo, em dose única de 1500mg/dia. Outro problema foi a utilização de pacientes terminais no primeiro estágio de testes. Como a fostoetanolamina demonstrou ausência de toxicidade em testes prévios, deveriam ter sido utilizada em pacientes ainda saudáveis, segundo normas da ANVISA.[6]

Salvador Claro Neto (doutor em química pela USP (Universidade de São Paulo), afirmou que à dosagem que deveria ser administrada aos pacientes, foi preconizada em 1995 no Hospital Amaral Carvalho (os dados clínicos desapareceram), e seria de três cápsulas por dia (manhã, tarde e noite) e não três cápsulas no mesmo momento uma vez por dia como foi administrado no Icesp (2016).[5]

O número de pacientes presentes no estudo foi reduzido para 78 dos 210 propostos no desenho inicial e Roberto Jun Arai, gerente do Núcleo de Pesquisas do Icesp, não sabe porque motivo. Arai também não soube explicar o motivo da ausência do teste de farmacocinética, obrigatório em estudos clínicos, no ensaio com a substância. Uma negligência grave, pois implica em não ter parâmetros para a dosagem do fármaco para cada tipo de tumor[7]. Quando questionado se no Icesp existiam outras pesquisas em execução e se elas possuiam o teste de farmacocinética, O gerente atestou que sim.[5]

Espero que esteja bastante claro para os empirulitados da vida: Não foi comprovado absolutamente nada a respeito da fosfoetanolamina: nem que funciona e muito menos que não funciona. Os testes elaborados pelo ICESP foram canhestros, os médicos que participaram não estavam muito motivados e ninguém estava lá otimista que resultados positivos aparecessem. Mas foi suficiente para os “pirulitados” aceitarem como prova cientifica, ainda que nenhum estudo tenha sido publicado. Engraçado que quando os céticos de conveniência querem que algo vá de encontro ao seu ponto de vista, nem precisam de provas, basta um estudo péssimo não publicado. O ceticismo picareta é assim mesmo: Para provar algo, um estudo com ampla amostragem não serve de nada se uma associação médica da vida não endossar – e eles nem precisam ler o estudo. Para rejeitar, qualquer opinião de um médico de TV é suficiente.

O que nós sabemos, cientifica e empiricamente comprovado, é que: a) pacientes não podem escolher seu tratamento, ainda que não funcione, eles estão proibidos de morrer da forma que lhes convém pela ANVISA b) Pacientes terminais, em analgesia, que têm ZERO chance de cura, não têm direito de ingerir fosfoetanolamina, a menos que importem dos EUA. Um verdadeiro acinte contra as liberdades individuais. Para estes, o establishment médico prefere a morte que a fosfo; a menos que a fosfoetanolamina tivesse sido criada pela Merck  e vendida por R$80.000,00, porque aí nós sabemos que iriam sobrar brindes para todos. E ela nem precisaria funcionar.

Nós também sabemos de outra coisa: A fosfoetanolamina oral não foi tão boa, em testes animais, como a injetável. Por motivos, sabe-se lá quais, os pesquisadores não usaram a versão injetável, com exceção do Dr. Durvanei Maria.

Nos últimos 10 anos, Durvanei Maria tem se dedicado de forma sistemática a estudar a fosfoetanolamina em experimentos pré-clínicos. “Trabalho com a fosfoetanolamina pura, cristalizada, que é solúvel em água e me foi fornecida pelo professor Chierice”, conta o pesquisador, que atualmente orienta dois mestrandos e um doutorando, com bolsa da FAPESP, para estudar o composto. “Eu a administro nos animais por via endovenosa ou intraperitoneal, não por via oral, como ocorre nos pacientes que tomam a pílula.” Esse detalhe é crucial. As taxas de disseminação, absorção, deposição e eliminação de uma droga podem variar muito em função da maneira como ela é ingerida. Entre os estudos recentes de Durvanei Maria com a fosfoetanolamina destacam-se um artigo no British Journal of Cancer, em novembro de 2013, e outro que saiu em 18 de abril de 2016 na versão eletrônica do International Journal of Nanomedicine.
http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/05/17/a-prova-final-da-fosfoetanolamina/

O que sabemos também é que a substância não tem chances de curar o câncer e os adeptos têm de ser mais racionais. Fosfoetanolamina não cura o câncer. A evidência anedótica é de melhora. E isso já é ótimo! Mas não cura. Pare de divulgar, caso esteja fazendo, que ela cura o câncer. Não é porque o Dr. Gilberto Chierice disse isso, ou criou o método de síntese, que ele está certo em tudo. Não cura. Ponto.  Chierice é um químico capacitado, mas não tem base em ciências médicas.

Temo que a vaidade dos pesquisadores envolvidos tenha jogado a substância, que ainda é promissora, na vala do escárnio, onde céticos de conveniência e empirulitados, cospem e cravam coroas de espinho. É triste porque a chance da substância, caso funcione de fato, voltar a ser testada no Brasil é quase nula. Certamente, ela poderia ser um tratamento adjuvante muito bom que daria uma sobrevida, mas agora, fica difícil. Talvez na China eles façam testes sérios. Infelizmente, a medicina brasileira é simulacro da americana, que também está em crise. E a cópia de algo não tão bom não pode ser lá coisa primorosa.

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2 comentários

  1. “Segue o artigo abaixo, da Wikipedia”

    Parei de ler aqui. Era só o que faltava. Um gayzáiner querendo mostrar como se faz experiências científicas. Os doutores Justin Kruger e David Dunning estão certos.

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