O Brasil não é violento contra minorias: a violência é generalizada!

Por B.M. Giordano

Esse bom texto (http://www.gazetadopovo.com.br/ideias/4-razoes-por-que-ainda-ha-tanta-rejeicao-aos-movimentos-feminista-negro-e-lgbt-8kalyfkhomtjugwe98nwexwcp), do Rodrigo da Silva, grande articulista  do excelente site liberal Spotniks , apesar de apontar os problemas censórios e o radicalismo das entidades defensoras de minorias, além de jogar uma luz benfazeja no estado de coisas relacionado ao politicamente correto e sua sana por calar desavenças; defende as premissas da esquerda, no caso, ao citar estatísticas fornecidas por ela própria, via ONGs e institutos de pesquisa estatais, para justificar porque ela não logra êxito nas causas de defesa das minorias sociais. Basicamente, parece uma versão soft de Saul Alinsky e suas Regras para radicais (https://ceticismopolitico.com/2012/11/20/um-raio-x-das-regras-para-radicais-de-saul-alinsky-pt-7-taticas/) – Alinsky visa ajudar esquerdistas a alçar êxito político fugindo do radicalismo).

Em síntese, um texto bem elaborado, em forma de lista curta, escrito para militantes de esquerda aderirem a Arte da Guerra sútil e refinarem suas estratégias: uma saída para a esquerda política é o refinamento de seu conflito social ainda atrelado ao marxismo mais rastaquera, que tornou-se grotesca caricatura com o pós-modernismo. Vamos analisar o parágrafo mais polêmico :

Em relação às mulheres, nós somos o quinto país mais violento no mundo – em média, registramos uma denúncia de violência doméstica a cada sete minutos e um caso de estupro a cada onze (e como apenas de 30% a 35% dos casos são registrados, é possível que o cenário seja ainda pior, de um estupro por minuto). Nos espaços públicos, elas ocupam por aqui o topo do ranking das mais assediadas do planeta – e o nosso país, considerado tão acolhedor, é o segundo destino mais perigoso para mulheres viajarem em todo o mundo. Um problema e tanto.

Com os negros não é diferente. Negros representam 54% da população brasileira. Sua participação no grupo dos 10% mais pobres, porém, é muito maior: 75%. No grupo do 1% mais rico da população, é de apenas 17,8%. De cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com informações do Atlas da Violência, os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, já descontado outros fatores, como renda, sexo ou idade.

Primeiro, os negros não representam 54% da população. Esse número foi inflado pela militância por motivos políticos: vender a narrativa de que o brasileiro é um povo racista de doer e utilizar o povo pardo como massa de manobra política. Segundo o IBGE ( http://www.brasil.gov.br/educacao/2012/07/censo-2010-mostra-as-diferencas-entre-caracteristicas-gerais-da-populacao-brasileira ):

o percentual de pardos cresceu de 38,5% para 43,1% (82 milhões de pessoas) em 2010. A proporção de pretos também subiu de 6,2% para 7,6% (15 milhões) no mesmo período. Esse resultado também aponta que a população que se autodeclara branca caiu de 53,7% para 47,7% (91 milhões de brasileiros).

Ou seja, a partir dessa premissa básica e comprovada, a de que a maioria da população brasileira é parda, todos os outros dados fornecidos pelo Rodrigo, na questão racial, são alterados com a informação primária corrompida. É muito improvável que de 2010 a 2017 o número de negros tenha subido para 54% e o de pardos diminuído como querem os militantes e especialistas da imprensa. O Brasil continua sendo um país ricamente miscigenado formado por povos pardos de diversas ascendências.

Outros exemplos: Ao considerarmos a questão da violência contra mulheres, Rodrigo cita que o país é o 5o mais violento do mundo contra mulheres, mas esquece que é o primeiro mais violento para homens (https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121929857/vitimas-de-homicidios-91-4-sao-homens e mesmo nas questões domésticas, é extremamente insalubre para o contingente masculino https://artedeagrado.jusbrasil.com.br/artigos/295591011/referencias-bibliograficas-para-defesa-de-homens-como-vitimas-de-violencia-domestica) e que casos de estupro ocorrem em grande quantidade não apenas contra mulheres, mas em nível brutal contra encarcerados, LGBTS, crianças e perpetrado por lésbicas (http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2014/11/25/interna_gerais,593189/uma-questao-de-respeito.shtml e https://www.amazon.com/She-Stole-Voice-Documentary-Uncensored/dp/B000YEBL64). O dado de que uma mulher é estuprada por minuto, tem base estatística zero: é puro achismo tirado de discurso feminista. Infelizmente, o Brasil é um país repleto de ladrões, homicidas e estupradores, mas repetir informações manipuladas do movimento feminista, racialista ou seja lá qual for, não ajuda em nada.

O texto do Rodrigo segue ocultando, no primeiro parágrafo onde ele introduz a pauta, que boa parte da violência LGBT é ocasionada dentro da própria comunidade em atos passionais (http://recordtv.r7.com/video/gay-mata-namorado-e-enterra-corpo-no-quintal-52aaaa71596f99dbbc02a6dc/ e http://gaucha.clicrbs.com.br/rs/noticia-aberta/laudo-aponta-que-homem-foi-morto-pelo-namorado-com-35-facadas-em-novo-hamburgo-194754.html e muitos outros links buscáveis no Google), dentre outras questões citadas que ampliariam demais a discussão.

A falha está no cerne: considerar que os números citados são legítimos e que errada é apenas a abordagem dos movimentos sociais, quando tanto números quanto estratégias são parte das políticas de conflito social da esquerda justiceira (conhecida como SJW) ou togada (aquela que pede mais estado e mais leis para estancar a sangria das estatísticas e proteger minorias). Além do fato, provado, de que esses números mudam ao sabor das ideologias.

Em síntese, o Brasil é um país violento em que morrem mulheres, gays, negros e minorias, mas em raras ocasiões por serem minorias: morrem dentro do contexto dantesco de exclusão generalizada promovida especificamente pela pobreza. No Brasil há racismo, mas não provável pelos números forjados – onde criticar um corte de cabelo é computado como discriminação racial. No Brasil há machismo, mas chamar uma mulher de linda não enquadra-se na pauta, porém é computado como dado certo e inquestionável pelas instituições nas quais o Rodrigo julga acreditar. No Brasil, as pessoas morrem e são discriminadas exatamente porque estão inseridas num contexto de violência generalizada. E isso não exclui ninguém.

 

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