Qual o melhor médico para mim?

Entrando no esquema “for dummies“, ou para iniciantes, postarei aqui dicas de como encontrar o melhor médico para tratamento clínico ou cirúrgico, minimamente invasivo ou laparotomia, sem correr o risco de cair em armadilhas. Que, basicamente, são aqueles profissionais médicos e de saúde que sobrevivem de sorver planos ou seguros e explorar seus pacientes.

1. Médico não é sacerdote e medicina não é sacerdócio.

Medicina cirúrgica é um grande negócio. Planos ganham com sua saúde e médicos com a sua doença. Encontrar o equilíbrio é difícil. Isso ficou evidente, principalmente, depois do escândalo da Máfia das Próteses, que desvencilhou uma esquema de corrupção horrendo entre médicos, fabricantes de próteses e alguns advogados. Outros esquemas ocorrem com “pacotes de cirurgias”, onde médicos dizem que vão “aproveitar a cirurgia” para realizar múltiplos procedimentos cirúrgicos. Tenha em mente que se você tem um problema, dificilmente precisará de duas, três ou quatro cirurgias, salvo raras exceções, e que estas cirurgias trarão riscos adicionais de complicações, invalidez ou mesmo de vida. Tire de sua cabeça a expressão “pra sarar tudo”, pois você pode ficar pior do que quando entrou… Então, não pense que aquele Sr. de branco está diante de você com a melhor das intenções, sempre. Há um custo benefício para ele e para você. E se ele extrapola os limites do razoável, trata-se de fraude e lesão corporal.

2. O melhor não é o primeiro.

Se você precisa de um médico, o pior lugar para encontrá-lo é na lista telefônica ou no catálogo do plano. Nestes, não há indicações, cotações ou recomendações. Somente Nome/CRM e num país com uma das piores medicinas do mundo, que é o Brasil (OMS, 2005), encontrar um médico bom de primeira, é como jogar roleta russa. Pior será, se você cair nas mãos de um especialista em falir planos de saúde que opera até resfriado! Somente submeta-se a uma cirurgia ou procedimento com profissionais recomendados, referenciados e com formação acadêmica e produção científica. Aquele desconhecido, que ninguém sabe de onde veio, não tem nem mesmo currículo Lattes e sobrevive em porta de hospital a cata de pacientes, é fria na certa. Fuja. O barato sai caro. Procure referências em http://www.doctoralia.com.br/ ou http://www.catalogo.med.br/. Tenha em mente que guias médicos só publicam elogios, então aqueles que não têm elogios, tendem a ser irrelevantes ou muito ruins, mesmo.

3. Só o meu funciona…

Médicos desatualizados, cheios de preconceitos, tendem a achar que só seus procedimentos ou os aprovados por seus colegas tendem a funcionar bem. Alguns cirurgias são tão antigas, que remontam ao começo do séc. XIX e nada mudou por estas bandas, enquanto nos países desenvolvidos abundam microcirurgias, laparoscopia, analgesia pós-operatória avançada e muitos procedimentos minimamente invasivos já são padrão. Obviamente, estes dinossauros continuarão a dizer que “só o meu funciona” porque não investem em atualização. Se informe bem antes de entrar em uma aventura.

4. Segunda opinião sempre

Precisa de uma cirurgia? Seu médico indicou? Peça uma segunda opinião. Nunca, nunca mesmo, se opere com o primeiro. Os fóruns e grupos de pacientes estão repletos de casos de pessoas que iam remover um tumor que não existia, ou que não iam remover, pois não foi diagnosticado. Desconfie sempre. A desconfiança salva vidas.

5. Prontuário na mão e documentação

Recebeu alta? Peça o prontuário. Nele estão contidos os procedimentos e intercorrências de sua cirurgia. Guarde receitas, exames, recibos e prontuário. Estes documentos são sua garantia em caso de erro médico e negligência. Acredite, há casos de médicos que negam ter operado determinado paciente pois o mesmo se desfez da documentação.

6. Sem consentimento, jamais!

Sem consentimento esclarecido, onde estão dispostos os riscos e clausulas de sua cirurgia, não se submeta. Médicos que sonegam informação, e fazem panfletagem de suas cirurgias como “seguras e sem riscos” quase sempre estão mentindo. Não existe cirurgia sem risco. Até uma injeção de vitaminas tem risco! Se ele começou com uma mentira, terminará com outra. Muitas vezes você só descobrirá depois a sequela de uma cirurgia.

7. Sem tempo para você.

O médico que não aparece nem para lhe dá alta, diz que sua dor é “frescura”, “manha” ou “ansiedade” certamente não merece confiança nenhuma. Quando, em caso de falhas, ele se nega a assumir a responsabilidade, trata-se de um negligente. Não perca tempo com estes. Há casos de pacientes que falecem porque o médico não teve “tempo para ele”.

8. Informação é poder

Em nossa cultura ocidental, temos o péssimo hábito de subserviência a classe médica. Achamos que estão sempre certos e têm sempre a melhor das intenções. Infelizmente, isso nem sempre é verdade. Não temos consciência nem autonomia sobre nossa saúde. Procuramos médicos até para tomar Aspirina, embora a Aspirina não tenha um dispositivo que a impeça de lhe fazer mal apenas porque foi prescrita por um médico. Auto-medicação é ruim e iatrogenia (consequência negativa de tratamento médico) é pior! Se informe sobre seu estado de saúde e enfermidade. Aprenda o básico sobre leitura de exames. Se o médico lhe disser que você não tem que “saber interpretar exames” diga a ele quem convive com a doença é você.

9. Panfleto e vídeo não é prova

Alguns médicos, no afã de seduzir seus pacientes, mostram vídeos e panfletos para demonstrar como o “procedimento é simples”. Estes vídeos tendem a ser bonitos, atrativos e falsos. Eles não exibem os riscos, não mostram laparotomias, edemas e hematomas do pós-operatório. A indústria médica é tão sofisticada que consegue enganar até os próprios médicos honestos, através de estudos clínicos e científicos adulterados para promover determinada técnica ou medicamento, com estatísticas de sucesso que chegam a 95%, 98% (nunca a 100%, pois o golpe ficaria auto-evidente). Novamente, leia literatura e consulte uma segunda opinião.

10. Ainda há médicos bons

Felizmente, nem tudo está perdido, ainda há profissionais que respeitam os pacientes e procuram tratá-lo da forma mais humanizada possível. Nem sempre a solução para um problema é simples e indolor. Mas sempre que for possível resolvê-lo da melhor forma possível, esta deve ser a preferida. Muitas vezes a melhor medicina é “deixar como está”. Aquela pequena calcificação que você tem, não precisa ser necessariamente extirpada, nem aquela varize discreta ou até mesmo uma varicocele (sobretudo se for uma inútil cirurgia aberta).

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