Lobotomia e a medicina bárbara dos dias de hoje

Quando nos deparamos nos dias de hoje com pacientes relativamente saudáveis que, após a colocação de doze pinos na coluna, ficaram permanentemente inválidos, nos perguntamos por que esses procedimentos ainda são feitos ao sabor do desejo de médicos sem nenhuma ética ou critério razoável?

O lobotomista e a ética da medicina atual
O lobotomista e a ética da medicina atual

Não há resposta boa o bastante. Cirurgias com sequelas de 20 a 33%, algumas sérias, outras necessitando de outro procedimento cirúrgico para correção, continuam sendo feitas, mesmo sem indicação, emergência ou o mínimo de ética, devido a lavagem cerebral feita nos pacientes por profissionais preocupados com suas contas bancárias e com as propinas que receberão de fabricantes de próteses e dispositivos implantáveis. Costumeiramente, estes maus profissionais somem quando algo dá errado e começam a fugir do paciente em consultas pós-operatórias.

Outro ramo lucrativo para os maus cirurgiões são as operações sem resultados plausíveis, como as brutais cirurgias abertas de varicocele (que mutilam vasos linfáticos saudáveis), hérnia de disco (em paciente apto a tratamento conservador), postectomia, remoção de manchas benignas nos olhos (as chamadas carnosidades), dentre tantas. Tais profissionais têm todo um mecanismo de envolvimento e sedução de seus clientes, que envolve lavagem cerebral (“se você não operar ficará ‘assim’ e ‘assado’ “), ocultação do Termo de Consentimento (que inclui os indesejáveis riscos cirúrgicos) e uma afetação de superioridade que os faz parecer donos da verdade e senhores da vida.

A ver assim, a medicina de hoje, envolta na barbárie dos lucros rápidos (“fast cash”) e na vaidade de seus péssimos profissionais, nos perguntamos se no passado era assim e a única resposta é: era pior. Em outras épocas, o Dr. Walter Freeman, conhecido psiquiatra que inspirou todos os loucos psiquiatras retratados na cultura de massa, inventou um método para tratar pacientes esquzofrênicos, deprimidos e até levemente ansiosos com uma brutal cirurgia, chamada lobotomia. Em seus procedimentos, cerca de 15% dos pacientes morriam. Ele também não era afeito a higiene: Não usava máscara e luvas e desdenhava dos germes. Ele não se importava com os óbitos e inválidos, ele apenas seguia em frente, cortando o lobo frontal de doentes insanos e até de crianças de 4 anos.

Dr. Freeman é o retrato da medicina bárbara que insiste em inseminar-se nos dias de hoje, especialmente no Brasil: uma medicina que não conhece humanos, senão sacos de ossos e vísceras, com bolsos cheios ou vazios. Planos de saúde pagando misérias aos médicos e pacientes pagando as contas pelos dois, médicos e planos.

Urge assistir a este documentário. Urge mudar esta medicina, com punições severas para quem, deliberadamente, destrói a saúde dos seus tutelados, ao invés de salvá-los.

Fontes:

The Lobotomist
http://www.pbs.org/wgbh/americanexperience/features/introduction/lobotomist-introduction/

He was bad, so they put an ice pick in his brain…
http://www.theguardian.com/science/2008/jan/13/neuroscience.medicalscience

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2 comentários

    • Eu devia ter vergonha de aceitar cagadas orais como as suas nesse blog. Mas vocês se definem perfeitamente, então eu aprovo os comentários. A cada cagada uma peça de roupa cai, até que estejam todos desnudos.

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