“Não foi acidente” criminaliza nós todos…

Nos últimos anos houve uma redução no número de acidente de trânsito graças a famigerada Lei Seca, que reduziu a virtualmente ZERO a tolerância a álcool no sangue de quem almeje dirigir em vias públicas. Mas não foi suficiente.

Os arautos do controle e da perseguição vão além: Querem a inversão do ônus da prova, ou seja, o motorista, pobre infeliz de classe-média que ousou comprar um carro em 128 prestações,  terá de provar que não está alcoolizado e não o contrário. Um absurdo inconstitucional.E não é “estar alcoolizado”, é “não ter bebido nada”. Sabe aquele vinho no almoço, esqueça: Você é um homicida sádico. Aquela cerveja no restaurante com a família, no dia de domingo? Fuja! Maldito assassino potencial! Eles sempre clamam por mais e mais leis e usam os casos notáveis de pessoas que foram vítimas de motoristas completamente embriagados para justificar a opressão generalizada. Tentaram fazer o mesmo com a “lei da palmada”, mostrando crianças mutiladas por criminosoas doentes e comparando-os aos pais que disciplinam os filhos moderadamente…

Um novo exemplo desta tentativa de atomizar a sociedade colocando-a no cabresto vem da campanha “Não foi acidente”, encampada por Rafael Baltresca, que teve a mãe e  irmã tragicamente assassinadas no trânsito por um criminoso completamente alcoolizado. Vejam, ele teve sua família vitimizada por um sujeito completamente alcoolizado! Bem diferente daquele que tomou o vinho no almoço ou comeu um bombom de licor…

Não obstante, os pontos que seus abaixo-assinandos defendem em sua campanha são:

 “O exame de sangue (ou bafômetro) não seria mais necessário, pois, com a análise clínica de um médico legista ou de alguém que tenha fé pública já poderia ser aferido a embriaguez. Neste caso, o condutor poderia usar o bafômetro a seu favor, se interessado;”

Essa parte me parece correta. Mas levanta questões em relação a inocência do acusado. Eu, particularmente, se fosse acusado falsamente, processaria a polícia, o estado e os médicos! Nós sabemos como nossas autoridades são preconceituosas, vêm bêbados em todo lugar e confundem determinadas pessoas com bandidos devido a um certo racismo que juram não ter…

“O crime de trânsito continuaria como homicídio culposo, porém, a pena seria aumentada caso fosse provada a embriaguez do motorista (de 5 a 9 anos de reclusão);”

Me parece correto… em caso de homícidio. Ou será que para o Sr.Rafael já entramos na era de Minority Report e as pessoas pagam por crimes que poderão cometer?

“Mesmo que [sic] não houver homicídio a pena seria aumentada quando provado[sic] a embriaguez do condutor do veículo.”

Que pena? Se o cara não matou ninguém, como pode responder por homícidio com 9 anos de reclusão? Isso é utopia totalitária em estado puro! Ademais,e o Sr. Rafael sabe muito bem, tudo agora é embriaguez. É um artíficio canalha para enquadrar o padre que bebeu o vinho na hora da eucaristia e foi dirigir depois da missa.

Não obstante, para elevar a discussão a níveis brutais de dissonância cognitiva, enumero estados sazonais que levam o indíviduo a emular uma situação de risco semelhante a embriaguez, sem que tenha qualquer punição:

  • Sono ao volante– Privação de sono por mais de 24hs produz efeitos semelhantes a alta embriaguez: Mal-estar, raciocínio lento, perda da coordenação motora, variações de humor etc…
  • Uso de entorpecentes e drogas– maconha, crack, anfetaminas, antibióticos, anti-inflamatórios etc… Drogas ilícitas e lícitas que podem ser desastrosas  no organismo de um motorista.
  • Depressão– Leva o indíviduo a um estado de alteração na percepção  tão profundo que ele nem vai saber distinguir o volante do câmbio…
  • Traumas psicológicos– Luto, brigas familiares, surtos, pânico, nervosismo…

E então, a proposta de lei prevê punição para quem dirige nestes supracitados estados? Não! Para seus proponentes nada significam, visto que estão numa cruzada pessoal cega e radical. Creio, inclusive, que se é pra radizalizar, façamos tudo de uma vez: A autoridade policial deveria receber permissão do Estado para arrancar o “bebum” do carro e alí mesmo fazer justiça com as próprias mãos, tudo de luvas, claro! Barbárie por barbárie, é isso que todos querem, mas não desejam ver com os próprios olhos, precisam de alguém que faça seu trabalho sujo.

Fonte: http://www.naofoiacidente.com.br/blog/

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