Violência Policial: esse é o retrato do Brasil!

Eis um pequeno estudo de caso, colhido de minhas andanças pelos canais de TV, guiado pelo infame e sedentário controle remoto:

Polícia Civil dá batida em casa de pequeno comerciante em São Paulo, a procura de drogas, não acha nada, mas encontra R$10.000. Intue, por bem, apreender o dinheiro porque é proveniente do tráfico de drogas…epa! mas eles não têm prova! Mas levam mesmo assim. A comerciante, revoltada, chama o delegado de “ladrão”, que ensaia: “do que a Sra. me chamou?”. Isso foi transmitido num programa policial na Rede Record. Pela transmissão, não foi lido o mandato de busca, indispensável para o caso, e a força utilizada foi desproporcional. O “modus operandi”, na frente das câmeras, é assustador: Os policiais buscam drogas com as mãos nuas, colocando em risco a própria saúde num acidente com objeto perfuro-cortante (seringa de viciado, por exemplo). Colocam abaixo portas de residências que, por detrás, podem ocultar uma criança ou pessoa idosa moribunda e cardíaca e encaram, de peito aberto, adentrar em cubículos desconhecidos e suspeitos sem estudo prévio da situação, correndo o risco de serem recebidos por um traçado de tiros a queima roupa. Alguns, mais sensíveis, têm a paranoia do desacato. Tudo é desacato! Discutir, argumentar, chorar…E a resposta varia de prisão a um tapa.

As buscas não precisam ser brutais e o policial pode usar a força proporcional. Muitas vezes, com educação, as pessoas são compelidas a denunciar um criminoso, ajudar numa investigação ou mesmo se entregar, por dor na consciência. Com o uso da psicologia, o policial pode resolver um crime! Evidentemente, muitas vezes o uso da força é vital, mas ela deve ser precisa e técnica. Quando o policial chega gritando, aponta o dedo e dá a “carteirada”, o juiz ouve tudo do réu e seu advogado e solta no outro dia um sujeito que pode ser perigoso e foi liberto por incompetência no cumprimento dos tramites.  Quando o delegado esquece o Código de Processo Penal e realiza mandato de busca e prisão durante a madrugada, o advogado do acusado sorri porque seu cliente é solto na mesma hora!

O que está faltando? Melhores salários? Plano de carreira? Inteligência forense? Humanização? Será que eficiência é brutalidade? Não, não estou sendo condescendente com os “bad guys”. Quem fez, que pague. Mas sem um mínimo de culpabilidade e com a inversão do ônus da prova, as forças que amamos, quando admoestam os outros, podem, um belo dia, se voltar contra nós, enquanto gritamos: “sou inocente”!

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