Um crime Deplorável e seu uso político

A ideologia de esquerda edifica-se em diversos pilares: ampliação hiperbólica dos fatos, desdobramento dos mesmos para atingir outrem através de leis ( que não os criminosos), apelo emocional e desvio da culpa (culpa-se sempre o mundo, a TV, a mídia… e não o criminoso). Nesse sentido comento o triste e deplorável crime de que foi vítima a Sra. Ariani Corniani. Segundo seu testemunho, elemento armado com chave de fenda, no Bairro da Mooca em São Paulo, ameaçou-a de estupro. Seu relato, demonstra a triste situação de vulnerabilidade em que se encontram as mulheres deste país ante a violência pública de marginais lunáticos:

“Ao atravessar a Radial Leste, sob o Viaduto Bresser, um homem começou a “mexer” comigo, me chamar de gostosa e outras obcenidades (sic)  piores que não tenho interesse em repetir mais uma vez. Fiquei com medo porque nem os moradores de rua que costumam ficar pela região estavam por lá. A rua estava vazia, apesar de já ser 10h. Não tem comércio, salvo alguns botecos bem pés-sujos, não tinha pra onde correr ou a quem pedir ajuda quando os ~elogios~ passaram a ser ameaça de estupro: entre outras coisas o homem dizia que ia me furar e fazer barbaridades comigo, eu acelerava o passo e a fonte das ameaças também.”

(http://misturaurbana.com/2011/12/o-dia-em-que-eu-tive-medo-por-ser-mulher/)

Então, a Sra. Ariani descreve os acontecimentos que ocorreram:

Suando em bicas, chorando, tentando telefonar para o meu marido e ainda assim ABSOLUTAMENTE NINGUÉM na recepção do pronto-socorro se mostrou solidário

Depois, ela adianta que foi até um grupo de seguranças no metrô, que  socorreram-lhe e explicaram os procedimentos corretos para registrar queixa policial. Então, acompanhada de seu marido foi até a Delegacia de Polícia e registrou o B.O. (provavelmente, assim como pode ter havido coleta de depoimento), onde foi informada de que a burocracia estatal faz muita gente desistir do processo.

Perceba, caro leitor, que a Sra. Ariani Corniani foi vítima de um monstro, potencial estuprador e terrorista. Ademais, foi vítima do Estado, do Governo mesmo, quando no hospital não foi socorrida, quando na Delegacia foi informada de que teria de passar por grande constrangimento e enorme burocracia nos entraves do judiciário. Ela não foi vítima do “mundo machista”, foi perseguida duplamente por um meliante e pelo Estado ineficiente. Porém, nos parágrafos a seguir, em seu texto, aplica a estratégia do uso político de uma tragédia, para censurar um programa de TV e impor o temor social, condenando, não o meliante e o estado deficiente, mas toda a sociedade:

À Rede Globo de Televisão deixo meu repúdio, não só a este caso de violência contra a mulher em sua programação, mas contra TODA a propaganda sexista exaustivamente veiculada por este canal de televisão. VIOLÊNCIA NÃO É HUMOR. ENCOXADA (sic) NO METRÔ NÃO PODE SER TRATADO COMO PIADA.

Acima, ela faz alusão ao programa Metrô Zorra Total, exibido pela Rede Globo. Chamar a Rede Globo de sexista não tem nexo. Essa emissora é um dos pilares do desconstrucionismo social que estigmatiza o homem como artificie de toda mazela social. Quantas vezes à Rede Globo, seja em matérias jornalísticas, seja em novelas, não denunciou, corretamente, a violência contra a mulher?  Muitas. O quadro do Zorra Total, é, como frisou a própria Globo, um quadro de humor, fictício. Então vamos proibir os filmes de ação porque, uma vez que os mocinhos e bandidos usam armas, estimulam a violência? Vamos proibir UFC, boxe e tutti quanti, porque estimulam as brigas de rua? Vamos proibir Mortal Kombat e Street Fighter! Vamos proibir cigarros, bebidas e uso de drogas em filmes também? Pergunto o que vai sobrar da literatura e da cultura de massa, senão meia dúzia de radicais, conservadores e liberais, ditando regras para a programação. Em seguida, Ariani acerta o tom, e culpa os acusados corretamente:

Aos governadores (sic) de São Paulo, que fique registrada minha indignação contra a completa falta de segurança no entorno das estações de trem, metrô e nos pontos de ônibus. Contra a superlotação do transporte, contra a forma como as mulheres são tratadas no transporte coletivo.

Mas erra de novo, culpando a sociedade inteira pela postura monstruosa de um meliante, criando nexos duvidosos entre uma uma coisa e outra. Aliás, ir de violência nas ruas até um programa de humor na Globo, onde um homem travestido que em nada representa a mulher brasileira atua de forma caricata, é uma completa distensão da realidade dos fatos:

Eu sou cidadã, eu sou mulher, eu sou vítima de uma sociedade que acha que quem usa um vestido rosa curto pode ser escorraçada e desrespeitada.[…]

Hoje eu parecia uma “irmãzinha”, de vestido nos joelhos e camisa de manga por baixo, mas mesmo que estivesse de mini saia e top, NADA NEM NINGUÉM tem o direito de me desrespeitar ou me ameaçar porque sobre o meu corpo e as minhas roupas EU DECIDO[…]

Até onde me consta, a sociedade não endossa estupro, desrespeito, ou agressão. Quem fez isso, foi o Estado negligente. Desviar o foco da culpa para enquadrar todo mundo, é uma conduta típica da esquerda. Perceba que a Sra. Ariani já nem fala mais do agressor, ela está agora transmutada numa militante feminista. Com relação a indumentária de “pouca roupa” alegada como direito. De fato, ninguém pode desrespeitar uma mulher por andar de “pouca roupa”, mas pode prendê-la, assim como a um homem, por atentado ao pudor. Eu não posso andar de cueca no meio da rua! Até porque, seria uma visão das mais desagradáveis para os transeuntes. No mais, basta ver as revistas de moda, para perceber que a sociedade é muito mais condescendente com o vestuário feminino, onde pululam blusas sem manga e saias curtas multicoloridas, do que com o masculino, onde geralmente só se aceita camisa de manga e calça comprida em locais de trabalho.

MULHERES: denunciem todo e qualquer caso de violência. Encoxada (sic) no metrô é crime. Assédio sexual é crime.

É crime, sim! Não importa se homem ou mulher. Afinal, homem também paga imposto, só pra lembrar as feministas. Como disse, foi horrível o que a Sra. Ariani passou. Mas também tem o outro lado da moeda. Não se faz lei no calor das emoções, pois, assim sendo, corre-se os riscos de radicalismos. Do mesmo jeito que mulheres sofrem “encoxadas (sic)” nos ônibus, homens também sofrem e não denunciam por vergonha. Não se pode criar leis para proteger as mulheres e estigmatizar o homem. Tanto uns como outras têm direito a integridade moral e física. Além do mais, está virando “modinha” , acusações falsas de “encoxadas (sic)” nos ônibus e a auto-vitimização. Deixando claro que acusar um inocente é tão grave quanto o crime em si.

Como venho dizendo, o desvio das questões de violência contra mulheres, homens e homossexuais traz complicações graves para a sociedade. Ao invés de se apurar os crimes e garantir segurança nas ruas, utiliza-se o expediente do grito, da caça-às-bruxas. Recentemente o jogador de futebol Marcelinho Paraíba, foi preso por estupro, sem flagrante, por uma acusação de um suposto beijo! Ariani fala que mulheres são maltratadas nos ônibus. Mas e eu, e muitos trabalhadores que dependem de coletivo, não somos? Será que andar em coletivo lotado com um sujeito encostando o órgao sexual em mim é agradável? Ou ainda uma senhora obesa esfregando os seios em meu rosto? Será que o problema são os homens, esse maldito ser abjeto criado por Deus ou Darwin, ou os péssimos veículos que disponibilizam aos usuários de transporte público?

Reitero, o que passou a Sra. Ariani foi crime abjeto, terrorismo e tortura. Crime hediondo. Já sofri ameaças de bandidos em assaltos e sei o que ela sofreu, porém não culpei a sociedade, “culpo os culpados”. Um pleonasmo vicioso bobo, mas relevante. Porém, desviar a culpa para a sociedade e a TV e fazer uso político da questão, atrelando-a a causa feminista, não resolve o problema. Agrava-o! Muitas pessoas de bem, podem ser acusadas de assédio em transportes coletivos, sem que nada tenham feito. Afinal, nas “limusines”, que são nossos ônibus super-lotados, é impossível não esbarrar involuntariamente em alguém, a não ser, que andemos todos em “bolhas”.

Fonte: http://misturaurbana.com/2011/12/o-dia-em-que-eu-tive-medo-por-ser-mulher/

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Um comentário

  1. fiquei com preguiça de ler,li um pouco, mas li o relato da outra moça, assim, sei la, mas acho q as leis nao estão sendo cumpridas! eles botam uma lei meio justa, mas nao aplica a quem deveria ser aplicada! assim, ja tentaram me matar, quase morri, graças a Deus ele me salvou, pq fui enforcada, dai, o agressor se escondeu em casa de parentes (pior, meus parentes) e quando apareceu, apareceu com advogado e nao foi preso! fiquei traumatizada, depre, parei de estudar, minha mae perdeu o emprego por causa dos processos q são lentos e mto chatos! e acho q perguntaram umas 5 vezes se queria realmente fazer o BOe seguir o processo, ve se pode, tenho só 14 anos, lamentavel esse nosso país e suas leis nao cumpridas!

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