Legião Urbana: Pós-Punk que peca pelo “Excesso de Renato Russo”

Que_pais_e_este? Sei lá!
Que_pais_é_este? Sei lá!

Estava aqui ouvindo o álbum do Legião Urbana, homônimo da banda, talvez devido à nostalgia boba de alguma paixão juvenil de 1999 por uma senhorita fã da banda, e me deparei com uma nova sonoridade, um elemento que não tinha percebido na época em que ouvia as tranqueiras sertanejas enquanto lia as obras de Voltaire. Essa minha recém-descoberta capacidade crítica levou-me a novas conclusões: O álbum é demasiadamente influenciado pelo pós-punk inglês, especialmente pelo Joy Division, fato comprovado pelos clips em que Renato Russo faz a consagrada dancinha epiléptica de Ian Curtis, vocalista suicida da finada banda. Além de tudo que vinha do além-mar: The Smiths, The Cure e Ramones e alguma dose de ska, possível influencia de Renato, enquanto ouvia The Clash.

É chato saber que o rock brasileiro nada mais é que a tradução do punk e new-wave para terras tupiniquins, mas precisamos dá um crédito pela originalidade do Legião, visto que era uma banda cujo compositor tinha mais de 2 neurônios e lia alguma coisa além de revistas e jornais e que, portanto, conseguia escrever razoavelmente bem.

Na época em que o álbum foi lançado, a ditadura estava no canto do cisne e as letras do disco eram quase todas ácidas críticas ao sistema militar brasileiro e a sociedade de classe média do país, que vivia a recessão do milagre econômico dos anos 70. Críticas bem polidas, se comparadas aos histrionismos das militâncias radicais pós-PT e pós-Obama de hoje. Um tempo onde os fulanos não se dão nem ao trabalho de pensar, o que vale é berrar e ser caricato (vide invasão da USP).

Mas se o álbum destaca-se pela voz trabalhada de Renato Russo e pelas letras sofisticadas e modernas, peca pelo excesso do próprio vocalista. Praticamente não há solos e os músicos parecem que estão lá apenas para acompanhamento. No brilhante futuro pós 1985 da banda, Renato obteria ainda mais destaque, enquanto obliterava os demais membros. Era uma personalidade iconoclasta e um tanto narcisista.

Tirando esses deméritos, Legião Urbana, é um álbum fantástico com uma boa dose de punk, legado da época em que a banda chamava-se Aborto Elétrico, embora, infelizmente, as crises depressivas e alcoólicas de russo, tenham levado o quarteto para o abismo de canções sentimentalóides de fama e sucesso garantido que condensavam a realidade dramática de Russo: Alcoolismo.

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