Sobre a Boçalidade dos Recifenses (ou sobre o que é Recife).

Recife é uma cidade formada por uma sociedade de boçais. Isto é indiscutível. Está no âmago bairrista destas criaturas nascidas na “Veneza Brasileira” considerar-se superiores e especiais. Um paradoxo que remete a própria formação da sociedade litorânea cosmopolita, porém ao mesmo tempo açucareira, escravocrata e conservadora (na pior acepção do termo).

Analisando a formação de sua estrutura social, encontramos descendentes brancos diretos de portugueses, holandeses, as classes mais abastadas, convivendo desarmoniosamente com negros, pardos, descendentes de índios etc. Componentes das classes sociais mais miseráveis e excluídas.

Entretanto, a cultura segregacionista não está presente apenas em um sutil racismo existente em sua estrutura social, mas pelo fato de que, isolada pela BR232, Recife e sua região metropolitana mostra-se como um órgão autônomo, independente de todo o estado  Pernambucano, tanto historicamente como antropologicamente, o que atrai imigrantes de cidades circunvizinhas mais desavisados, na esperança de obter uma vida melhor.

A formação da sociedade pernambucana, sua empáfia, insolência e arrogância, oriunda lá na Casa Grande, quando senhores de engenho, representantes da sociedade açucareira e escravagista, entraram em conflito com comerciantes progressistas portugueses, era a Guerra dos Mascates. Antes disso, a Insurreição Pernambucana, que significou a expulsão do último suspiro de progresso humano naquela sociedade, debalde o egoísmo das classes dinheiristas de Recife e Olinda (duas cidades idênticas em formação),  destroçou as aspirações progressistas da cidade até então conhecida como Mauritsstad.

Estes conflitos de interesse, atrelados ao catolicismo visceral e deturpado importado das culturas européias, desembocaram na Belle Époque no século XX, onde, estabilizada na sua forma provinciana e mesquinha, detentores das chaves celestiais, os recifenses se afrancesaram, aliando um glamour esfacelado e brega das terras napoleônicas, ao egocentrismo e afetação de superioridade de quem vive numa cidade portuária repleta de magníficas construções provenientes da arquitetura holandesa, mas não passa de um peão aspirando a majestade.

Ao mesmo tempo o conservadorismo, a manutenção da cultura patriarcal bitolada e burra, impregnava todos os eixos da sociedade pernambucana, transformando Recife e região, numa cidade atípica, repleta de gente besta e arrogante, num covil de víboras interesseiras gananciosas e insensíveis aos sofrimentos dos mais pobres, razão pela qual esta cidade é das mais sujas e miseráveis do Brasil.

Mas o que mudou em pleno século XXI? Nada. Estruturalmente, Recife continua mantendo a sua função de bucha, absorvendo elementos culturais estrangeiros e sulistas, e pervertendo-os na sua própria concepção de “chique” e “importante”. É o rock do sul, o mangue beat (pegando o rock Americano e Inglês), a novela das oito (cuja influência é mais forte aqui do que em qualquer outro lugar), o brega para os mais miseráveis e os velhos caboclos ponta-de-lança, versões urbanizadas da antiga e belíssima manifestação vinda do interior com seu Maracatu Rural. Manifestações visitadas e revisitadas por uma juventude mentalmente estreita que jura não ser igual aos seus pais, porque usa piercing e dredlooks (necessidade vazia de auto-afirmação).

Socialmente, não se misturam (preconceito de classe), e são hedonistas e interesseiros por natureza, o que se evidencia no aparente desprezo das classes letradas pela cultura de massa, como se o rock e o maracatu atômico que ouvem fossem melhores, culturalmente falando, (na verdade trata-se da mesmíssima música ruim que os pobres ouvem, vazia, sem harmonia, tampouco melodia, porém, bem embalada). As moças procuram os melhores partidos, o que nos seus elevados conceitos modernos, são sujeitos gentis como britadeiras, motorizados e ricos ou “bombadinhos”, como diz a gíria, e os rapazes o sexo fácil, que só o poder de sedução automobilística e financeira podem prover.

A auto-exclusão, e a infligida, é visível nas festas típicas, nas boates e nos eventos públicos: pessoas aparentemente antenadas com as últimas tendências, mantém uma estreiteza mental pedante e reducionista, ao ponto de não se misturarem com o que consideram impróprio, fraco e ralé, evidenciando grupinhos isolados de bem-apessoados, bonitos e importantes, e outros de excluídos pela má-sorte. Mas a diplomacia típica do recifense, é conhecida por esconder seus próprios preconceitos com bem aplicados sofismas, como “bons dias” e “boas noites”, que na verdade não significam outra coisa, senão o “dá o fora”. Isto geralmente é o que engana o turista, aquele nômade que vem passar apenas duas semanas por aqui, tempo insuficiente para conhecer a degradante sociedade em que vivemos.

Coincidentemente, achei munição para achincalhar esta cidade. Em seu artigo, “O provincianismo dos “cosmopolitas”, o jornalista Luiz Zanin termina seu texto com uma constatação que é síntese de tudo que escrevi:

“[..]estreiteza mental e colonizada que se escondem atrás desse falso cosmopolitismo”.

Por estes motivos, entre outros, é que somos campeões de violência contra a mulher,( pois as mulheres recifenses idealizam, deturpadamente, nos homens uma virilidade que nada mais é do que agressão, que se volta contra elas mesmas a curto prazo, sendo portanto, culpadas pelas más escolhas), campeões de homicídios, exclusão social, desemprego, desrespeito ao meio-ambiente e tantas e inumeráveis outras mazelas. Porque esta é a sociedade que fabricamos ao longo dos séculos. Mesmo as mentes mais elevadas, ou as que consideram a si próprias assim, estão infectadas, inconscientemente, com o micróbio da prepotência. Esta é uma sociedade de homicidas, vaidosos, arrogantes, insolentes, mesquinhos, prepotentes, estúpidos (e estúpidas, para ser politicamente correto ), covardes, violentos, desleais e, principalmente, de boçais.

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22 comentários

  1. MAS VAMOS COMBINAR LACAIOS ESTILO ARIANO SUASSUNA, CELSO FURTADO, ALGUNS DE PRINCESA (CUJA TRAIÇÃO ATE FOI ELOGIADA NA MUSICA DO ALOGENO), ALGUNS DE UMBUZEIRO DA MIDIA E CIA TAMBEM ALIMENTARAM ESSE SENTIMENTO NO RECIFENSE..OS PAGA-PAUS DE OUTROS ESTADOS E NÃO SÓ OS INTERIORANOS DE PE..MEU AVÔ EMIGROU DE RECIFE PELAS ENCHENTES, MAS TAMBEM EM PARTE POR QUE NÃO SUPORTAVA O RECIFAILISMO, POREM QUANDO CHEGARAM CA JA TINHAM ABSORVIDO AQUELE JEITO INSUPORTAVEL RECIFAILENSE..

    • Marxista cultura? Eu! Caramba. Geralmente me chamam de reacionário. O problema de Recife é a cultura de Casa Grande e Senzala, o coronelismo…A classe média herdou isso. A subserviência e o deslumbramento ante a autoridade da ignorância.

      • Se vc e reacionario o stirner era extrema direita kk..um viajante ingles ke passou no recife a servico do atlantico norte disse o inverso..ke pe era o unico lugar onde nos dias santos os homens brancos cediam lugar nas igrejas nao segregadas as negras..isso nao ocorria em vila rica nem em outras zonas ate mais sub nostratizantes..ele ate comparou a sociedade de pe com a do ma e as colocou como inversas em varios aspectos..

      • E continuo a bater na tecla da decadencia ke gerou forte complexo de inferioridade ke se apegou a historia grandiosa para nao ficar por baixo; o neurotipo dessa foz do capibaribe e arredores e bestializante por razoes autossomicas e evolutivas

      • E tem mais..vc pinta os hispanicos dai como se fossem puros colonos da niew holland com a nova lusitania gallaecia e cia..esses “brancos” de pernambuco ke dizes boa parte sao mais socialmente ke na real..mujtos tem clara influencia nao branca; muitos ate sararas como se diz na linguagem popular

      • Eu não pinto ninguém com matiz nenhum. Sou apenas um espectador da sociedade. Recife é uma sociedade de castas.

  2. É UMA DECADENCIA CIVILIZACIONAL DE STATUS MUY GRANDE..RECIFE NUNCA SE RECUPEROU DE TAL TOMBO..E PRINCIPALMENTE OUTRAS ZONAS DE PERNAMBUCO QUE RECIFE TRATOU DE ROUBAR A GRANDEZA VISTO QUE ANACRONICAMENTE E TARDIAMENTE TIROU A SEDE DE OLINDA..

  3. JA IMAGINOU VC SER UM DOS PORTOS MORES DO IMPERIO PORTUGUES, O PRIMEIRO GRANDE IMPERIO REALMENTE TESSALOCRATICO A NIVEL GLOBAL E DE REPENTE VC HOJE SER UM MERO QUINTAL E SUBURBIO DA VD-DF?..

  4. ACHEI O TEXTO PARCIAL..EXCESSIVAMENTE MARXISTA CULTURAL..OS RECIFAILS POSSUEM UM COMPLEXO DE SUPERIORIDADE ORIUNDO DA DECADENCIA FRENTE A UM PASSADO GRANDIOSO QUE NUNCA CONSEGUIRAM REAVER..ALIAS O PASSADO GRANDIOSO NEM FOI DELES E SIM DE OLINDA, MAURICIA (QUE ERA ENTIDADE GEOPOLITICA DISTINTA DE RECIFO NOS MAPAS BATAVOS DA EPOCA E QUE QUASE FOI ERGUIDA EM ITAMARACA POR SUGESTÃO DE UM POLACO LITUANO) E POR AÍ VAI..SO QUE ANACRONICAMENTE PEGAM O TITULO DE CAPITAL TARDIA PARA ROUBAR AS GLORIAS DE OUTRAS ZONAS DE PERNAMBUCO..

  5. ODEIO ESTA CIDADE IMUNDA, DE PESSOAS MAL EDUCADAS, QUE ACHAM BONITO POLUIR AS RUAS, O METRÔ, AS PRAIS, ENFIM, TUDO O QUE VÊEM PELA FRENTE PARA A MAIORIA DOS CIDADÃOS DE RECIFE É APENAS UMA LIXEIRA.
    NÃO EXISTE RESPEITO AOS PEDESTRES. ADORAM BUZINAR PARA TUDO E TODOS O TEMPO TODO.
    EM RECIFE, NÃO RESPEITAM FILA. NÃO ESPERAM O DESEMBARQUE NOS ELEVADORES, ÔNIBUS, METRÔ, ETC, PARA EMBARCAR.
    É UMA SOCIEDADE TOTALMENTE RUDE, ONDE PREVALECE A LEI DO MAIS FORTE.
    HOMENS MACHISTAS E NOJENTOS.
    COMO MULHER, ME SINTO COMO UMA CARNE EXPOSTA EM UM AÇOUGUE. DESRESPEITADA, HUMILHADA, SEM PRIVACIDADE.

    • Daniela, isto não acontece a gênero específico. Como mulher você sofre desrespeito e como homens, sofremos descaso do poder público, especialmente na esfera da saúde: Não existem políticas públicas para saúde masculina. Eu mesmo estou doente e sofro este descaso.

  6. Estou lendo esse texto em 2013, e estou impressionado como absolutamente tudo nele é verdadeiro, eu e minha família somos do interior, viemos para cá há muito tempo, achávamos que essa cidade seria um lugar onde poderíamos construir uma vida mais próspera, afinal como o texto diz, essa é uma cidade sem nenhuma comunicação com o resto do estado, quem vem aqui para passar alguns dias se impressiona com os prédios e a dinâmica da cidade, jurando que esta é uma terra de oportunidades, quando na verdade tudo não passa de aparências. O recifense é sem dúvida o ser mais insuportável que o Brasil já produziu, por que ele reúne as coisas que alguém “sadio” mais repugna, a ignorância misturada com arrogância, com pitadas de preconceito e elitismo sem causa, o resultado disso é uma sociedade doente, bizarra, que não dá a mínima oportunidade de alguém acender se não se tornar mais desses seres.

    • Na época, ao escrever este texto, eu tinha uma boa saúde…Fisicamente, estou bastante debilitado atualmente, e emocionalmente também. Não sei o quanto “de Recife” devo a minha doença, talvez muito…Sem dúvida, muito da ambição da classe-média alta, e dos “Drs.” Recifenses, está intrinsicamente ligada a minha enfermidade. Gente desgraçada e mesquinha existe em todo lugar, mas quando você tem uma confluência de egos dantescos querendo te sugar até os caroços, digerí-los também, para então evacuá-los na privada é sinal de que está numa sociedade muito doente.

  7. O que pude concluir sobre o artigo, me parece que o autor sofreu um pouco na convivência com os Recifenses. Ok, cada um tem a sua forma de se expressar, mesmo que seja agressiva.

    Os problemas citados acima sobre o comportamento do recifense em geral, infelizmente replicam na maior parte do brasil, ou seja, todo mundo neste país acha que sabe tudo. Ninguém acha que precisa melhorar em nada. Tem uma frase que explica bem o que estou falando.

    “Nem todos estão satisfeitos com suas aparências, porém todos estão satisfeitos com o cérebro que tem”

    Apesar de todas as conclusões do autor, eu não li uma experiência vivida pelo autor, para que eu pudesse entender o porque das conclusões.

    Vamos esquentar o debate de forma inteligente.

  8. Caro, Sami…

    E vosso oríficio anal, como vai? Vá militar na porra da sua parada gay ateísta…Agora no carro da frente, que é pra todos terem a oportunidade de te enrabar.

    Se bem que os gays merecem coisa melhor…

    Tenho dito.

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