Preservativo:A prevenção deve ser feita, mas não é 100% eficaz.

Sou crítico ferrenho das campanhas anti-HIV e anti-DST do Governo Federal Brasileiro. Elas nos passam a impressão de que o uso do preservativo é suficiente para a total proteção do usuário contra infecções sexuais. Pelos seus critérios , o indivíduo pode tomar para si qualquer atitude ou postura sexual que, inda assim, estará seguro contra a AIDS e qualquer DST, ou mesmo uma gravidez indesejada.

Ora, prevenção é importante, devemos sempre utilizar preservativos, mas o uso constante de tal medida preventiva, não é por si só suficiente. É preciso diálogo com a(o) parceira(o) e pôr em prática uma conduta  bem ponderada que leve o indíviduo a diminuição do número de contatos sexuais com múltiplos agentes. A camisinha entraria aí, como um instrumento chave, indispensável para o combate das malditas DST’s, mas não como um escudo miraculoso da permissividade humana, algo que leve a nós todos a plena satisfação dos gozos venéreos, por mais besteais e desregrados que sejam.

E por que questionar a total eficácia do preservativo, ou ao menos, a percepção que se pretende passar dos mesmos através das campanhas governamentais? Porque os profissionais de saúde pública estão preocupados com estatísticas, tão somente. Para eles importa apenas que 70, ou ainda 90%, das pessoas estejam protegidas contra o HIV. Os outros 10% são cordeiros de sacríficio. Sangrados a alguma divindade pagã, em prol de uma maioria escolhida. É a exclusão da minoria, desfavorecida pela sorte. Algo bem típico do pensamento que suprime o indíviduo arbitrariamente de um benefício, pelo bem-estar da coletividade

Vou analisar as próprias estatísticas de Um artigo publicado pelo The Johns Hopkins School of Public Health cuja tradução está disponível no site http://www.bibliomed.com.br. Seu título é Preservativos: Reduzindo as Barreiras. Este documento, elaborado por uma instituição científica reconhecida, explica como os condoms são eficazes na prevenção de DSTs, porém, deixa frestras abertas, por onde nebulosas nuvens insistem em passar, não dissipando as dúvidas. Basicamente, o artigo confere credibilidade a prevenção, mas se esquiva em comentar as margens de erro desta mesma. O que ocorre é a parcial manipulação maniqueísta de uma informação importante, que, doravante pasteurizada, chega aos ouvidos do consumidor, incompleta
: Ou seja, “parcialmente eficaz” se transmuta em “totalmente eficaz”, (o que significa que, se você não utilizar o preservativo, estará sim, 100% exposto, in natura, de fato). A mentira, divulgada nos Meios de comunicação, consiste em passar total segurança sobre um método, que é sim, falível, em determinadas circunstâncias. Uma irresponsabilidade sem precendentes.

Analisando o artigo encontrei alguns dados:

Eficácia do preservativo no seu uso perfeito contra a Gravidez Indesejada:

3 em cada 100 mulheres engravidam, a “boa nova”, segundo o autor, é que essa taxa é bastante baixa, porém pílulas anticoncepcionais têm ineficácia menor que 1%.

Eficácia no seu uso típico contra a Gravidez Indesejada:

O uso típico é o uso do dia-à-dia, portanto é a natureza do que ocorre, de fato. Os estudos realizados
mostram uma ineficácia de 16%,  na Tailândia e 14% nos EUA.

Eficácia contra HIV

Segundo o estudo, a taxa de transmissão do HIV, entre casais soro-discordantes, é menor que 1%. Um estudo avaliou 256 casais nessa condição e concluiu que após 20 meses não houve infecção pelo HIV, entre os casais que usaram de forma consistente o preservativo. Porém, é de se esperar que sendo o ser humano falível por natureza, esse “uso ideal”, na prática, é díficil de se obter. Entretanto, concordo que “não usar” é pratica condenável.

Alguma proteção contra outras DSTs (longe dos 100%, como o Governo Federal nos leva a acreditar)

Nos casos da Clamídia e Gonorréia, a eficácia do preservativo é de 60 a 80%, portanto há uma margem de erro de 20 a 40%. Os programas de saúde pública simplesmente não avisam, ou omitem por elipse,  essas taxas de seus usuários, os médicos fazem o mesmo. O paciente, deveria estar ciente dos índices de falha de um método preventivo, qualquer que seja , como direito seu. Direito a informação, mas não parece ser do interesse da classe médica. É melhor, para o cidadão, permanecer manipulável.

A pior situação está correlacionada ao índice de falhas referente a HPV,  herpes, e trícomoniase. Para esta última as possibilidades de inéficacia chegam a 70%. Segundo o estudo.

Uso incorreto é responsável por 1/4 das gravidezes indesejadas.

Outra estatística gritante. O design de um bom produto deve levar em consideração o índice de falhas do usuário, assim, uma cadeira deve ser suficientemente resistente para suportar o peso de um usuário que opta por sentar-se em seu braço, por exemplo. Porém, esse mesmo estudo mostra que o uso inconsistente do preservativo, é responsável por 1/4 das gravidezes indesejadas nos EUA. A possibilidade de se usar corretamente a camisinha passa por uma via crucis de variáveis e regras que devem ser observadas, de tal modo, que errar na sua colocação, se torna pratica corriqueira. Como confirma o estudo ao afirmar que “As pessoas freqüentemente usam preservativos de forma inconstante ou incorreta”

Taxa de rompimento é baixa, mas não chega a zero: 1 a 13%.

Os estudos apontaram uma taxa de ruptura que varia de 1 a 13% na relação vaginal, mas a média ficou abaixo de 2%. No coito anal essa taxa variou de 1,6 a 7,3%. Mas uma vez, a população não é avisada sobre a possibilidade de haver falha no uso do método. As propagandas governamentais são claras: “Transe ‘até morrer’ com quem quer que seja, desde que use preservativo”.

Casais de longa data são menos propensos a falhas no uso da camisinha.

O estudo apontou uma baixa taxa de rompimentos em casais monogâmicos. Homens com suas namoradas tendem a utilizar o preservativo de maneira mais ineficaz. Enquanto os casados o fazem com mais perícia, devido a experiência na colocação adequada do mesmo.

Defeitos de fabricação ocorrem

Mesmo diante da vigilância pesada das autoridade públicas e de saúde, imprevistos ocorrem. Em 1998, autoridades sul-africanas devolveram milhões de preservativos importados que não foram adequadamente testados. Em 1992, um estudo mostrou que 29 de 89 amostras de preservativos testados apresentavam alguma falha em sua estrutura, o que permitiria a passagem do vírus HIV através de poros existentes em camisinhas defeituosas (http://www.vivatranquilo.com.br/saude/colaboradores/ministerio_saude/preservativos/mat2.htm). Fica claro que como todo e qualquer objeto manufaturado pelo homem, a camisinha não é 100% eficaz, e que portanto o consumidor deveria estar ciente de seus riscos, até para mover ações legais contra os fabricantes e o Ministério da Saúde, que leva-o a crer numa eficácia total do método através de campanhas publicitárias. Isso, entretanto, não deve ser usado como pretexto para a abstenção sexual, ou o sexo desprotegido, e sim para uma vida sexual mais regrada, onde há diálogo e redução do número de parceiros, fortalecida com a segurança, parcial, porém importante, dos famigerados condoms.

Conclusão

  • Eficácia do preservativo contra o HIV: Segundo o estudo, 99% no seu uso ideal (faltam dados referentes ao uso típico).
  • Eficácia do preservativo contra a gravidez: Uso Ideal 97%. Uso típico: 84% no pior caso (Tailândia) com falha de 14% nos EUA.
  • Taxa de ruptura: 1 a 13%.
  • Falha na prevenção contra outras DSTs:
    • Clamídia e Gonorréia: 20 a 40%.
    • HPV,  herpes, e trícomoniase: Até 70%.

  • Portanto, levando-se em consideração que o preservativo tem um eficácia superior a relação sexual desprotegida, ele deve sempre ser utilizado. O inconveniente, perigosissímo, reside no fato do governo omitir as taxas de falha intrínsecas e extrínsecas do método para a população. O consenso geral é de que o uso do preservativo por si só, resolve todos os problemas referentes a gravidez indesejada e transmissão de DSTs. O que não é verdade. Ele confere proteção parcial, bastante alta, contra gravidez, mas apresenta um índice de falhas não desprezível. Ainda com relação a outras DSTs, o preservativo confere alguma proteção, mas pode chegar a apenas 30% nos casos de clamídia e HPV. Portanto é uma conduta criminosa e irresponsável, esta adotada pelo Ministério da Saúde. Não alertar a população sobre o índice de falhas do preservativo, incentivando, inclusive,  meninas de 13 anos a manter relações sexuais precoces (Vide campanha do governo federal: “Bom de cama é quem usa camisinha.”). O preservativo, deve sim, ser proposto dentro de uma poítica “holística”, que inclui educação sexual, redução do número de parceiros, diálogo, e observação dos órgãos sexuais dos parceiros a procura de eventuais verrugas e ulcerações. Ainda que, isoladamente, essas políticas, segundo os próprios estudos, se mostrem falhas, no conjunto são efetivas, pois tendem a preencher os percentis, onde a camisinha deixa lacunas perigosas, (Vide Política do ABC, empregada em Uganda, http://www.usaid.gov/our_work/global_health/aids/News/abcfactsheet.html).

Fontes:
The ABC of The AIDS preventions, http://www.usaid.gov/our_work/global_health/aids/News/abcfactsheet.html, 11.05.2008, 8:35hs.

Preservativos: Eficácia, http://www.vivatranquilo.com.br/saude/colaboradores/ministerio_saude/preservativos/mat2.htm, 11.05.2008, 8:35hs.

Preservativos: Reduzindo as barreiras, Qual é a eficácia dos preservativos?,
http://www.bibliomed.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=12839&ReturnCatID=499

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10 comentários

  1. Na verdade eu não concordo… O governo não pode proibir ou inibir a relação sexual, se o governo se mostrar contra geraria uma série de acusações e polêmicas… Ao mesmo tempo se ele mostrar a ineficácia, ainda que ela seja baixa a campanha perderá valor por parte do público-alvo. Cursei Publicidade e propaganda e sei o quanto 0 1% de ineficácia seria suficiente para milhares de pessoas deixarem de usar o preservativo sob essa alegação. Sendo assim, ainda que não seja totalmente justo acho que é a atitude correta.

    • Não Helen, não cabe ao Governo inibir…mas as campanhas do “camisinha pode tudo”, de neutras não têm nada, elas são a engenharia da liberação sexual…

      Mostrar e ineficácia do método é obrigação do Governo e direito do consumidor, e como você cursou publicidade, deve saber sobre direitos do consumidor e questões éticas…

      Esse 0,1 % na verdade são 13% no uso típico (OMS, 2004), portanto uma percentagem razoável. Razão pela qual muitas pessoas se contaminam sem saber porque. Quanto ao fato das pessoas deixarem de usar se soubessem das margens de erro…Isso não acontece nos EUA. Lá as pessoas são conscientes.

  2. Muito importante usar este meio de comunicação livre, a internet, para conscientizar o indivíduo. Obrigado pelo texto.

  3. […] Sou crítico ferrenho das campanhas anti-HIV e anti-DST do Governo Federal Brasileiro. Elas nos passam a impressão de que o uso do preservativo é suficiente para a total proteção do usuário contra infecções sexuais. Pelos seus critérios , o indivíduo pode tomar para si qualquer atitude ou postura sexual que, inda assim, estará seguro contra a AIDS e qualquer DST, ou mesmo uma gravidez indesejada. Ora, prevenção é importante, devemos sempre utiliza … Read More […]

  4. Adorei o texto!!! Fazem anos que eu penso nisso, e fico admirada que ninguém questiona o fato de não fazerem mais testes e pesquisas. Tenho um arquivo “O Preservativo Masculino de Látex –
    Especificações e Diretrizes para a Aquisição de Preservativos Masculinos 2003” que diz que é tolerado orificios em 0.25% das camisinhas. Ou seja, quando você compra a camisinha ela pode já vim furada, mesmo que você use corretamente.
    Obrigada pelo seu texto, espero que mais pessoas começem a questionar e investigar essas informações que diz respeito a propria vida.

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