Guto Lacaz- Designer muito além…

Vivemos tempos sinistros, li recentemente artigos científicos de qualidade duvidosa, onde se afirma claramente que designers não precisam desenhar, conhecer fotografia, conceber tipologias etc, enfim, segundo tais artigos, o  espectro de abrangência das funções de um designer seriam meramente técnicos, o resto, o computador faz…

Esse recíocinio vem de uma deturpação brutal da Bauhaus, da Escola da Forma de Ulm, e da escola Suiça, tendências e escolas que herdamos no design, na arquitetura e na arte,  devido principalmente as influências da ESDI, Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro. Que seguiam diretrizes funcionais desprovidas de estilo pessoal e de elementos culturais regionais. Era simples: Forma segue função, menos é mais…

Ora, ainda que esses dogmas estejam certos, e há os que os contestam severamente nos dias de hoje,  não significam que menos é igual “nada”. Nesse contexto gostaria de citar Guto Lacaz, designer, ilustrador, cenógrafo, nascido em 1948. Paulistano, formou-se em arquitetura, em 1974, pela Faculdade de Arquitetura de São José dos Campos. Na sua época, quase não se falava em design, e os profissionais ou vinham da ESDI, ou eram autodidatas com formação em outro setor. Ele conta que o arquiteto aprendia fotografia, desenho, desenho técnico, arte, música e mais uma série disciplinas para poder graduar-se. Bem além do que um profissional faz e aprende hoje em dia.

Atualmente é angustiante a parca noção de desenho, anatomia, arte, cultura, perspectiva e ilustração que um estudante de design e arquitetura precisa ter. Os professores, para facilitar o seu próprio trabalho, aderem ao coro, com “bordões” inúteis de que” design não precisa desenhar”, “designer não precisa fotografar, ilustrar”…etc.

É perigosíssima essa visão. Via de regra, boas agências dificilmente trocam um “designer desenhista” por outro empurrador de mouse em Corel e Photoshop. Ninguém quer mais um diagramador, um tipógrafo…Pra isso existem os micreiros, e Softwares, mesmo os livres, já diagramam as páginas. Como o designer pode reclamar do mercado, se ele próprio não consegue ir muito além do que seus professores pregam? Se não quer ler, estudar, desenhar, pintar, ilustrar…? Fica díficil.

Um mau professor é pior que professor algum, ele dissemina conceitos errados com ideologias tronchas e é o bater de asas de uma borboleta que causará um furacão no outro lado do mundo. E digo isso porque já fui vítima de professores deslumbrados com lixo, que pregavam conceitos duvidosos pra adolescentes de 16 anos.

Para aqueles que acham que um designer não deve ir além de diagramar textos em colunas e dá “umazinha” no AutoCAD e 3Dmax, fica a lição de Guto Lacaz, um designer ganhador de dois Prêmios Abril, referencial em tudo que faz, criativo e visionário, que está comemorando 30 anos de profissão.

Fonte:http://www.gutolacaz.com.br/

Anúncios

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s