Sognare Lucido

A Destruição da cultura sexual brasileira

Antigamente, a iniciação sexual dos rapazes dava-se em bordéis com prostitutas aptas e de procedência duvidosa, maltratadas pelas circunstâncias da vida. Doenças sexualmente transmissíveis, como HPV e Gonorréia, borbulhavam nesses ambientes. Entretanto, essa realidade, regada a sexo desprotegido e promíscuo, nunca fez parte da cultura do brasileiro, sempre foi condenada por sacerdotes (de qualquer credo) e pelas famílias de “bem”. Era algo clandestino, que praticava-se escondido e que, portanto, não contemplava toda a sociedade como acontece hoje, momento em que os bordéis foram substituídos pelas escolas primárias.

Evidentemente, moças que se atrevessem a tal intento aventureiro, eram cingidas com o estigma de “putas”, num claro sexismo típico das atrasadas épocas anteriores. Os prostíbulos foram entrando em decadência com o surgimento da AIDS, e as pessoas passaram a tomar uma atitude sexual mais ponderada, como a redução do número de parceiros, algo que se tornou meio que uma política cultural não imposta e benéfica. Obviamente, não estou falando da postura radical do vaticano, em condenar o ato sexual, do qual eu mesmo desfruto, porém em encontrar a si próprio com uma alma por quem se nutra um mínimo de afeto, sem aquela ânsia de transar com 30 personas/mês. São assim condenáveis as duas faces de radicalismos opostos. Nesse contexto, o uso do preservativo só tende a acrescentar segurança, como uma arma, que para o bem fazer, deverá ser utilizada nos momentos certos.

Como nunca fez parte de nossa cultura familiar oficial, a promiscuidade sexual, nenhum governo ousou homologá-la. As campanhas de prevenção contra a AIDS e DSTs eram focadas no ato sexual, independente da postura individual, havendo uma certa neutralidade na indução a isto ou àquilo. Até hoje: O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, homologa uma campanha que não só não respeita a sexualidade alheia, como impõe valores sexuais de todos os tipos, como se a moral fosse um lixo desprezível sem qualquer valor. Nunca a desvalorização do próprio corpo diante do ato sexual, foi levada à conseqüências tão hedonistas na história desse país (parafraseando um ilustre líder). O sexo, a expressão de amor e paixão entre duas pessoas (de qualquer orientação sexual), é vendido como moeda barata, mesquinha e fútil, sem qualquer valor. Não bastasse o sem fim de doenças sexualmente transmissíveis que estão grassando na população, ainda há um estímulo para que os adolescentes tenham múltiplos parceiros de qualquer idade ( conforme você poderá ver no texto “À caça dos rapazes virgens”, publicado em  http://sistemas.aids.gov.br/imprensa/Noticias.asp?NOTCod=60036 ), o que já caracteriza prevaricação por indução à pedofilia, não só da fonte oficial ( “Foi uma veterana quem iniciou a vida sexual do ator Arthur Tadeu Curado, há nove anos. Na época, ela tinha 28 anos e era universitária. Ele era um garoto de 15 anos, que fazia a 8ª série.”) como também do próprio governo. Não preciso dizer que a inspiração filosófica do Ministério da Saúde, resume-se ao mote: “Com camisinha pode tudo!” cuja melhor sinonímia poderia ser “Com camisinha vai até o braço!”.

A política oficial do Governo fica evidente na distribuição de preservativos em escolas públicas, as populares máquinas de camisinha. Tais aparelhos fornecem-nas para o aluno que digitar sua matrícula. Além desse cuidado, o Governo entrega um caderninho onde os discentes contam sua vidinha sexual. Obviamente, espera-se que seja muito agitada. Espera-se que um garoto de 14 anos, segundo o manual dos sexólogo moderno, cujo maior prazer é gozar ao som mudo dos relatos sádicos de Alfred Kinsey, não tenha tido menos de 5 parceiros em sua vida, com os quais já devam ter praticado, no mínimo, sexo anal. O único detalhe que está faltando nessa história toda, e que o governo não subsidiou, incompetente como sempre nos assuntos da educação fundamental, é o Centro para o Exercício da Cidadania Sexual do Adolescente (CECSA, leia-se SEXA), um lugar onde, respaldado por toda a indumentária oficial do petismo politicamente correto, o aluno, na própria escola, poderia pôr em pratica suas necessidades fisiológicas básicas, algo como um POF (Puteiro Oficial Federal). Interessante para os alunos mais novos, seria também a presença de um palhaço, munido de um falo artificial, ensinando a gurizada a pôr a “borrachuda”, segundo o  linguajar juvenil postiço da pedagoga e psicóloga Rosely Sayão   (http://teensexo.uol.com.br/sexocabeca/sexosemgravidez/7.jhtm), a esse palhaço caberia uma denominação tão interessante e singela quanto “Palhaço Surubinha”. O que acham?

O mais interessante dessa gente é que criticam a iniciação sexual precoce do adolescente, condenada em todos os países do mundo, mas a estimulam desmedidamente com quantos e como quiserem, ainda criticando os “reacionários”, gente velha e preconceituosa, como Olavo de Carvallho e Reinaldo Azevedo e, como todo bom hipócrita, ficam chocados quando deparam-se com cenas familiares, como as que vejo nos transportes públicos, meninas de 11 anos dizendo umas as outras “vou comer teu pai!”, isso sim uma grande revolução sexual. Eles parecem não saber que para o HPV, um perigoso vírus de transmissão por via sexual, a proteção da camisinha chega a no máximo a 70% (Eficácia do preservativo na redução de doenças sexualmente transmissíveis, WHO 2004), exatamente devido ao fato de que o preservativo somente protege a área coberta do pênis e as lesões da doença podem estar ao redor, na virilha. Esta pode ser uma boa conjectura para explicar o porquê da epidemia de HPV que assola mulheres, mais vulneráveis a doença, atualmente.

Entretanto, não tenham dúvida, o governo culpará a maldita Igreja por ser contra o preservativo (como se alguém desse ouvidos), afinal, que bode expiatório poderia ser mais cômodo que uma instituição passiva sobre quem recaem todos os crimes da humanidade? Estão simplesmente expondo adolescentes a esse risco sem alertá-los. Mas tudo bem, eu sou reacionário, e estou aqui movido por causas pessoais, pois, como já disse o Ministério da Saúde, com camisinha “pode tudo”, ou melhor, com camisinha “vai até o braço”.

5 Comentários

5 respostas Até agora ↓

  • Teresa castro // Março 7, 2009 às 1:43 am | Responder

    Não resisti e continuo por aqui.

    Neste artigo, posso compreender claramente a que extamente vc abomina.

    Mas veja bem, onde extamente é que que as ações anti-aids pelo uso do preservativo faz com que vc diga que é pra ser usado de forma indiscriminada?

    Numa educação sexual, p.ex., a camisinha chega depois da sexualidade… ou seja, chega como forma de prevenção sim, mas antes os conceitos são devidamente reconhecidos e colocados em pauta.

    Ah… nem sei mais o que estou dizendo… meus poucos neurônios já estão cansados de tanto blá-blá-blá.

    Vc simplesmente bagunçou tudo por aqui. esou mais perdida que não sei o quê.

    Sou defensora do uso do preservativo sim, mas de forma consciente, do tipo, o sexo deve chegar depois do encontro, da paixão, da afinidade e aí sim, chegar prevenido.

    Vc está criticando são as formas das campanhas que são trabalhadas no uso deste preservativo, correto?

    Então, pra vc, como exatamante elas deveriam ser?

    Uma pergunta curiosa, mas se puder me responder,
    agardeço muito.

    Abç,
    Teresa

  • Fernando Leme // Março 29, 2009 às 2:41 am | Responder

    Olá Bebeto

    Para tratar de cultura sexual brasileira sugiro a leitura de Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro e talvez seu corte histórico se amplie um pouco.

    Quanto às minhas suspostas fontes midiáticas: você está enganado.

    Quanto ao meu comunismo, também. Sou um defensor das liberdades individuais e de algum mercado. Embora ainda não tenha concluído um meio de ajustar isso tudo com alguma decência social.

    A referência que você indicou no comentário do meu post só reforça meu ponto de vista.

    Se puder, ainda, gostaria de sugerir algo: contribuiria para a clareza do seu texto, uma clareza de objetivos. Atirar em tudo o tempo todo tira a credibilidade do redator.

    Mas vamos conversando, embora tenha considerado você um pouco agressivo, você ganhou uns pontos por conhecer e usar software livre (rs). Discordando a gente se entende.

  • bebeto_maya // Março 29, 2009 às 6:36 am | Responder

    Caro Fernando…

    1- Já li a ambos. Que parte devo citar de Casa Grande e Senzala? A da obssessão anal do brasileiro, ou o machismo presenta na cultura patriarcal?

    2- Agressivo? Desculpe, o sr. mandou o Papa à merda, mas eu não fiz o mesmo com sua pessoa. Detalhe, apesar do mesmo ser contra o preservativo, ele disse que somente este é insuficiente, ou seja, aformou o que os estudos já mostram: Há uma margem de erro. Fazer o que? Certamente induzir a prostituição, como faz nosso governo lulista com a homologação da mesma, não é a solução. Apesar desta ter o selo da ONU.

  • bebeto_maya // Março 29, 2009 às 6:41 am | Responder

    Ah. Obrigado pela participação em meu blog.

  • NAZARENO // Maio 14, 2009 às 9:56 pm | Responder

    O texto fala de uma maneira clara a cerca da preocupação do autor em ver como primordial um fator dos mais relevantes, ou seja, educação e prevenção tem que caminhar juntos

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